País dividido? Isso pode ser muito bom

Este texto foi escrito pelo meu pai, Chico Junior, no dia 27 de outubro, ou seja, um dia após o resultado das eleições. Sei que já passou uma semana desde então, mas gostei muito das palavras dele e gostaria de compartilhar com vocês, leitores.


Antes de mais nada, quero registrar que não perdi um único amigo ou amiga (pelo menos, acho) duramente esse encarniçado processo eleitoral que se travou via Facebook.

Procurei, durante todo o processo eleitoral, fazer uma discreta campanha para a minha candidata, mas sem responder a provocações e não provocar.

Procurei, durante toda minha vida, exercer a democracia, em casa, no trabalho, na vida e na política. Isso porque acho que todo mundo tem o sagrado direito de torcer pelo Vasco na torcida do Flamengo (parafraseando o Millôr, se não me falha a memória; ou teria sido o Stanislaw).

Tenho muitos amigos e amigas, conhecidos e conhecidas, que votaram no Aécio. E respeito profundamente suas escolhas políticas.

Mas vamos falar da tal divisão do país, apregoada por muitos colunistas/jornalistas como um grande problema, gerado pelo resultado eleitoral desta eleição presidencial.

Mas isso, gente, não é um problema. Primeiro porque, passada a emoção da eleição, somos todos brasileiros e torcemos, juntos, para o bem do nosso país.

O que podemos tirar dessa situação, é o seguinte (e óbvio): metade do país votou contra a Dilma; outra metade, contra o Aécio. Daí, podemos concluir que Dilma tem, teoricamente, metade do país na oposição. E que sugeriu, pelo voto, que quer mudança.

Muito bem, Dilma sinalizou em seu discurso pós anúncio do resultado eleitoral, que recebeu o recado, propondo o diálogo.

Minha cara presidente, há mesmo que se mudar muita coisa, a começar pela reforma política. Não dá mais para o Brasil conviver com essa zona que impera no nosso Parlamento.

Sabemos que sua intervenção no Parlamento é restrita, mas a presidente da República pode influir muito nesse processo, movimentando sua bancada de apoio, que não é e não será pequena. A ideia do plebiscito sobre a reforma,, anunciada em seu discurso, também pode ser uma bela ideia, depois de muito bem estudada e combinada com o Parlamento.

Tem que rever a questão das coligações partidárias eleitorais, tem que rever a questão dos partidos de aluguel. Isso par citar apenas dois exemplos.

A outra coisa é dar um basta na corrupção. Ninguém aguenta mais conviver com essa situação.

Em suma, trabalhe em prol e com a outra metade que não lhe deu votos.

Ao Aécio, que tem ao seu lado, teoricamente, a outra metade da população, só peço uma coisa: faça oposição; como senador da República, lidere uma oposição sadia, crítica, propositiva. Aproveite o momento para liderar este processo. Não a oposição tacanha e medrosa que o PSDB fez, ao longo dos 12 anos de governo do PT.

Meu caro, está em suas mãos conduzir este processo e sair mais fortalecido para a próxima campanha, se o seu partido não se perder em brigas internas e decisões para apontar o próximo candidato à Presidência, pois, como se sabe, o Alckmin também está de olho no Planalto.

A democracia, o país, a política ganhará muito se o PSDB se portar, realmente, como um partido de oposição.

E vamos em frente!


O texto saiu no site Correio do Brasil.

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