Porque o brasileiro não é solidário?

O tempo passa, o tempo voa e aproveitando meus três anos de blog, vou reaproveitar um texto de 2011! Segue:

 

O brasileiro é alegre, bonito, ama carnaval, sol, feijão e futebol. Como dá pra reparar, nem nessa descrição clichê consta que o brasileiro é solidário. E, de fato, uma pesquisa divulgada há menos de um mês pela instituição inglesa Charities Aid Foundation mostra que esse não é nosso forte.

 

Num ranking de solidariedade, que levou em conta entrevistas com 150 mil pessoas de 153 países, o Brasil ficou apenas em 85º. Os EUA ficaram em 1º lugar e nações ditas não desenvolvidas, como Laos e Sri Lanka, conseguiram permanecer entre os 20 primeiros. Tudo bem que uma pesquisa assim é sempre cheia de distorções, mas levando em conta que ela deva ter alguma razão, fica a pergunta: porque o brasileiro não é solidário?

 

O governo faz de tudo para você não fazer nada – A última ação do governo para incentivar doações foi a criação das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) em… 1999!! Como se não bastassem 12 anos sem incentivo, doar muitas vezes é burocrático. Nunca esqueço a história do ex-aluno que queria doar um prédio para a UFRJ e desistiu depois de tanta burocracia imposta.

 

Não temos essa cultura – Nos EUA, por exemplo, a doação (de tempo ou de dinheiro) era questão de sobrevivência nos tempos coloniais. Sem o olhar da metrópole, os cidadãos eram obrigados a se dedicar às causas públicas, como construção de hospitais e escolas, desenvolvendo um senso de pertencimento que sobrevive até hoje. Não precisa nem dizer que no Brasil, por mil razões, ocorreu praticamente o oposto.

 

Somos jovens – Em todo mundo, o perfil do voluntário é de uma pessoa madura, estabelecida na vida. Como o Brasil só agora começa a envelhecer, a tendência é que nos tornemos mais solidários nos próximos anos.

 

Somos pobres – Ok, pobreza não é desculpa pras coisas. Mas com certeza é mais fácil pensar em doar com as necessidades básicas garantidas do que tendo que trabalhar 30 horas por dia pra ter o que comer. E mesmo com o incremento real de renda do brasileiro nos últimos anos, 43% da população ainda está abaixo da linha da pobreza.

 

A gente é malandro pra ca$@##**lho – Cultura, renda, idade, governo. As externalidades não ajudam o brasileiro a ser solidário, mas cada pessoa também tem parcela de culpa nisso. É só sair na rua pra ver quanto o brasileiro ama ser esperto e se dar bem em cima do coleguinha, orientação oposta à solidariedade. É a famosa Lei de Gérson, sobre a qual acredito que não precise falar muito.

 

Concluindo

 

Como estou sem inspiração pra concluir e não quero sair fazendo discurso politicamente correto, segue uma frase de Warren Buffet, megainvestidor americano, comentando uma doação de US$ 30 bilhões:

 

‎”A minha doação não é nada (…) Eu nasci no pais certo, na época certa, e o meu trabalho é desproporcionalmente remunerado se comparado com o dos professores e dos soldados. Estou simplesmente devolvendo à sociedade o que é seu de direito”

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