Os quatro maiores erros das ONGs

O Brasil tem mais de 300 mil ONGs. Numa conta mal feita, é um projeto social para cada 666 brasileiros. O número elevado explica-se pela quantidade de mazelas do país, mas também pelo amadorismo da maioria dos projetos. Devido a razões muito parecidas, as instituições acabam tendo pouco impacto e fazendo praticamente nenhuma diferença. Abaixo, os quatro erros mais comuns das ONGs.

1) Falta de gestão profissional

Poderia fazer um post apenas falando disso. A falta de gestão de qualidade é hoje a maior falha dos projetos sociais. Como em qualquer empresa, os objetivos das ONGs só são alcançados consistentemente se houver gente capacitada e remunerada tocando os processos diários. A gestão amadora e/ou de pessoas sem qualificação limita mortalmente muitos projetos, limitando também seu impacto.

2) Falta de fonte recorrente de recursos

Este segundo ponto está intimamente ligado ao primeiro. O principal argumento para a falta de gestão profissional costuma ser a falta de dinheiro. Forma-se, assim, um ciclo perverso: não tem gestão porque não tem dinheiro, não tem dinheiro porque não tem gestão. A busca por uma fonte de recursos recorrente deve ser a primeira preocupação das ONGs – e opções como crowdfunding contínuo, projetos incentivados, etc. devem ser consideradas. O dinheiro “eventual”, vindo de doações esporádicas, não pode ser o sustento. Sem a tranquilidade de ter as contas pagas no fim do mês, a atividade da ONG tende a virar uma corrida eterna contra a falência.

3) Falta de foco

Os problemas sociais são tantos e tão variados, que às vezes fica difícil escolher um foco de ação. Há uma tendência compreensível a englobar problemáticas próximas e estender as atividades para outros campos. Por mais doloroso que seja, a ONG deve ter muito clara a área de atuação e a forma de impacto que deseja causar. A falta de foco diminui a efetividade e pode ser muito prejudicial na busca por fazer a diferença.

4) Isolamento

As ONGs conversam muito pouco. Há frequentemente muitas que fazem um trabalho parecido, mas por falta de diálogo não unem forças e seguem separadamente causando impacto limitado. O amadurecimento do terceiro setor no Brasil provavelmente passará por um processo de fusão de ONGs menores e amadoras, resultando em projetos com maior musculatura e impacto.

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