Somos todos Camaleões

Há pouco tempo, criei um blog (http://roteirosdefuga.wordpress.com/, pra quem se interessar) que fala sobre cinema e viagem – duas paixões minhas – e hoje decidi postar aqui um texto que escrevi sobre o filme “Zelig”, do Woody Allen –meu diretor preferido. O filme é um pseudo-documentário, ou seja, tem formato de documentário, mas na verdade é uma ficção. Ele conta a vida de um homem, Leonard Zelig (interpretado pelo Woody), que se transforma de acordo com as pessoas que ele está no momento. Por exemplo, quando está com rabinos, vira um rabino; quando está com obesos, vira obeso; quando está com nazistas, vira nazista. Já entenderam né? Ao perceber isso, a psiquiatra Eudora Fletcher (Mia Farrow) passa a estudar o caso de Zelig e o diagnostica como um homem-camaleão. Assim como o camaleão, Leo Zelig se adapta às situações e muda de forma de acordo com elas.

Após assistir ao filme, cheguei à seguinte conclusão: todos nós somos homens-camaleões. Na minha concepção, o que Allen (acho muito formal chamá-lo assim, afinal eu e ele somos muito íntimos) quis dizer com isso é que todos nós acabamos mudando quem ou como somos para nos envolvermos com as pessoas; nos adaptamos a várias situações para podermos conviver com elas. Quem nunca fingiu ser alguma coisa ou ter alguma característica que na verdade nem tinha? Ou pior, quem nunca deixou de falar algo ou se vestir de certo jeito só porque não se encaixava em algum grupo de amigos, ou mesmo nos padrões da sociedade?

O que acontece é que nós somos camaleões o tempo inteiro – na nossa casa, na escola, na faculdade, na rua, na praia, nas festas, sei lá. Em qualquer lugar. Optamos por mudar nosso jeito e nossos costumes para nos encaixamos, para sermos aceitos e para que os outros se “identifiquem” com a gente (identifiquem entre aspas porque acaba sendo uma falsa identificação). Todos fazem ou pelo menos já fizeram isso alguma vez na vida. E Woody coloca isso de forma fantasiosa e caricaturada na obra prima que é “Zelig”. Eu indico. O filme é em preto-e-branco, se passa em épocas mais antigas do que a que foi feito (anos 80), mas, para os que não tem muita paciência, fiquem tranquilos: tem menos de uma hora e meia. É interessante, inteligente, engraçado, bem montado, bem dirigido, bem atuado… enfim. Uma joia. Agradeço ao Woody por nos proporcionar genialidades como Zelig.

http://www.youtube.com/watch?v=dt4wsmAdEk8 – Cena da Dança do Camaleão, música criada para o filme em homenagem ao fictício Leonard Zelig.

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