Nós odiamos demais.

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Pensando sobre o que poderia escrever neste post com atraso de um dia, muitas coisas me vieram à cabeça. Além de episódios que estão ocorrendo atualmente, pensei muito sobre coisas que me incomodam, como falas, pensamentos, atitudes e as hipocrisias que todos temos. No meio desse nó de pensamentos, falei uma frase para mim mesma: o nosso problema é que nós odiamos demais. É isso. De um jeito ou de outro, tudo o que passava pela minha cabeça estava ligado a algum tipo de ódio que o ser humano faz questão de ter e de falar quem tem. A gente ama muito pouco. E quando a gente não gosta, a gente odeia; não basta não gostar. Nós ODIAMOS músicas, bandas, cantores, programas, filmes, pessoas que convivem conosco… o ódio nos cresce bem mais fácil do que o amor.

 

Para ilustrar o que estou dizendo, podemos pensar em exemplos da nossa infância: quando a gente é criança, dizemos muito que odiamos certa comida. Todos sabem que muitas vezes a criança nem provou a comida, mas ela odeia mesmo assim. Talvez porque o amigo não gosta, talvez porque a aparência é estranha, enfim. Aí ela prova a comida e, mesmo gostando, diz que odeia, para não dar o braço a torcer. Se ela se acostumar com tal comida, ela pode passar a gostar e, por fim, depois de um longo tempo, amar. Mas o ódio já estava no discurso dela antes mesmo dela experimentar o objeto odiado. Também quando crianças, dizemos que odiamos outra pessoa porque nossa amiguinha brigou com ela. Nós odiamos sem conhecer. E nós demoramos a amar mesmo conhecendo… Amar nos é um esforço. Odiar é rápido e nada complexo. A dificuldade que o ser humano tem para descrever ou explicar o amor é facilidade para dizer o que é o sentimento de ódio.

 

A história da humanidade já mostrou como a gente odeia e se odeia tanto. Quantas guerras, homicídios, genocídios, holocaustos o homem já provocou? Há uma permanente necessidade de violentarmos e matarmos uns aos outros. Isso é tão claro que, nos anos 60, foi preciso aparecer um grupo de “malucos” que ficava pregando o amor por aí, usando roupas largas e fazendo sexo livre, dizendo sobre um tal de poder da flor e pedindo por favor para que um país parasse com uma guerra. Estão vendo? Para muitos, até hoje, os hippies eram um bando de vagabundos, sujos, drogados que não tinham o pudor com o próprio corpo. Mas, nesse momento, o que eles mais desejavam era o fim de uma guerra, de uma violência absoluta a troco de nada. Os malucos não eram os soldados que tinham orgulho de estar no Vietnã matando pessoas, muito menos o governo estadunidense. Eu acho que nós deveríamos pensar um pouco mais antes de odiar. Ódio é um sentimento muito forte, assim como o amor. Não devemos dizer que amamos da boca para fora; devíamos fazer o mesmo ao dizer que odiamos algo. Estamos e estivemos sempre tão cercados de preconceitos, inveja, orgulho, competitividade, que o ódio aparece em nós muito facilmente, exposto ou nas entrelinhas dos nossos discursos. Infelizmente, não tem como reverter a história, todas as guerras e matanças que já ocorreram, mas eu gostaria, do fundo do meu coração, que passássemos a amar mais. Amar é fácil também. E muito mais gostoso.

Marina Martins

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