O limite do “sem limites”

É engraçado o fato de alguns apresentarem e considerarem o humor como algo sem limites. A minha pergunta é: até que ponto vai o limite do humor? Até que ponto o humor deve ser aturado, sem que o mesmo ofenda as pessoas, principalmente minorias ou grupos que já têm um histórico de preconceitos? Ou até mesmo piadas ofensivas que não utilizem o preconceito como meio de despertar o riso nos outros. A impressão que tenho é a de que a pessoa que faz a piada nem sempre procura a diversão, mas se utiliza dela para ofender os outros e utilizar como desculpa “Nossa, foi brincadeira, eu tava brincando! Você não tem senso de humor, não?”. Não estou generalizando, mas acredito, sim, que isso possa acontecer. Também tem a típica “verdade na cara”, em que a pessoa diz tudo o que pensa e, se acaba ofendendo alguém, usa a desculpa da brincadeirinha. Muitas vezes o feitor da piada utiliza defeitos de alguém e acaba brincando com algo que a pessoa detesta em si mesma. Se isso ocorre inocentemente, sem problemas. Mas muitos (e muitos mesmo) têm a malícia de provocar alguém.

 

Sinceramente, muitas vezes o meu senso de humor não é tão aguçado assim. Eu geralmente não vejo graça em piadas machistas, racistas ou preconceituosas. Não que eu me ofenda sempre, isso não é verdade. É que eu não vejo graça mesmo. Acontece que esse tal de “humor sem limites” já passou dos limites e muitas piadinhas acabam se tornando (um tanto) ofensivas. Que falem o que quiser do meu senso de humor, mas não acho certas piadas más sobre holocausto, negros, pobres, gays ou mulheres. Como já falei, o problema não está na piada inocente, na efetiva “brincadeirinha” ou na verdadeira “zoação”. O problema está nas piadas que procuram tocar, mesmo que subliminarmente, em pontos fracos de outra pessoa ou de outros grupos. Para mim, humor tem limite e, se passa do limite, vira ofensa muitas vezes. E o que mais me irrita é que as pessoas que fazem essas piadas ofensivas, ou concordam com elas, são as que não estão incluídas no grupo das que sofrem preconceitos. No caso do machismo, os homens acabam perdendo a linha, escrevendo ou falando coisas absurdas, pois eles não são e não entendem as mulheres. Nós sofremos com o machismo desde que Deus é homem. Deus é homem, os papas e bispos e sacerdotes são homens. Até pouco tempo, os presidentes – e outros políticos – eram sempre homens. Os monarcas, majoritariamente, eram homens.

 

Mas agora, no papel de pessoa do sexo feminino e feminista, convém a me dizer que lugar de mulher ERA na cozinha, os tempos mudaram. Temos um dia só nosso, o que é mais que uma obrigação, levando em conta o motivo pelo que ele existe*. Ao longo da história, muitas intelectuais foram sendo esquecidas, mas cá estamos nós: mulheres mais independentes que estão construindo uma nova história, dando a luz às crianças e colocando dinheiro em casa. Não quero saber de piadas machistas ofensivas, não quero saber que “lugar de mulher é na cozinha”. Dizer isso é recalque, pensar nisso é recalque. A todos os homens (e até mulheres) que se divertem com piadas machistas, na boa, está na hora de largar as fraldas.

 

Hoje em dia, as mulheres têm que ser procuradas e muito bem tratadas, pois nós já sofremos muito nessa história. Sem essa de piadas ofensivas, sem essa de humor sem limites, sem essa de falar que eu não tenho capacidade ou senso de humor suficientes para aceitar piadas machistas ridículas. Ah! E só para esclarecer aos homens e mulheres que não sabem, machismo é crime, feminismo é uma atuação; é a luta da mulher pelos seus direitos de igualdade (um homem também pode ser feminista). E se me perguntam se eu sou feminista, é claro que sou! Eu tenho que ser! Eu tenho boca pra falar e corpo pra agir. Se algum dia tivermos que queimar sutiãs novamente, vou ser uma das primeiras a tacar fogo nos meus. Sou mulher e, acima de tudo, mulher com opinião, atitude e gênio forte, não sou uma boneca inflável.

 

 

*O Dia Internacional da Mulher (8 de março): No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, como redução na carga diária de trabalho, equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano. Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas). [http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher.htm]

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