Redes Sociais: um mundo de solitários

Por Naomi Baranek

As facilidades e inovações que as redes sociais trouxeram para a sociedade contemporânea não podem ser negadas. Podemos ter conversas com vários ao mesmo tempo sem sair de casa. Aqueles que estão distantes são aproximados virtualmente. Porém, o Facebook, e outras redes sociais do tipo, acabaram servindo como uma espécie de proteção à realidade, principalmente entre jovens. Através dessas redes, podemos projetar o nosso ideal de quem somos, como queremos que o mundo nos veja. Postamos determinadas fotos, dizemos certas coisas no status, temos determinados amigos. O que não gostamos podemos facilmente apagar ou bloquear, censurando aquilo que não queremos que outros vejam.

Com as amizades se trata da mesma história, os contatos podem ser deletados, bloqueados ou ignorados a qualquer momento. O sociólogo Zygmunt Bauman diz que o grande atrativo é a facilidade de conectar e desconectar-se. Nas relações reais, ou melhor, não virtuais, é traumático terminar relações, porque precisamos ter razões e desculpas, precisamos lidar diretamente com as emoções dos outros e as nossas também.

Bauman também diz que os laços humanos são ao mesmo tempo uma benção e uma maldição. Benção por “ter confiança numa pessoa e se sentir capaz de fazer algo por ela”, por estabelecer uma troca emocional. Por outro lado, é maldição porque ao criarmos um laço, empenhamos o nosso futuro naquela pessoa, prometemos estar sempre juntos. Hoje, no entanto, lidamos cada vez menos com isso, pois “vivemos como pessoas solitárias numa multidão de solitários”.

A globalização e o aumento do individualismo tornaram as relações progressivamente mais distantes e insignificantes. O homem trocou as amizades pelos contatos, fazendo com que a quantidade de relacionamentos substituísse sua qualidade. São estabelecidos laços emocionais frouxos e abundantes para que possam ser desatados facilmente, a fim de que as pessoas não precisem se dedicar, ou sofram as frustrações que fazem parte de qualquer relacionamento emocional.

Tira por Orlando Pedroso
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