Tekoa Pyau: uma tribo no meio de São Paulo

Tekoa Pyau. Parece trava língua, mas é o nome de uma tribo indígena no meio da cidade de São Paulo. Isso mesmo: entre 12 milhões de habitantes e duras poesias concretas de tuas esquinas, há uma comunidade indígena.

Conheci os Tekoa Pyau esse final de semana. Fui à “aldeia” com a ONG TETO, construir novas casas para os índios. Quem quiser saber sobre a construção pode ler aqui. Abaixo, o que vi e aprendi:

 

Porque escrevi “aldeia”, entre aspas? – Os Tekoa Pyau ocupam um terreno deImage aproximadamente 1 quilômetro quadrado no Parque Estadual do Jaraguá, a meia hora da Avenida Paulista. A “aldeia”, de aproximadamente 600 pessoas, cercada de muros e ruas movimentadas, quase atropelada pela Rodovia dos Bandeirantes, é muito semelhante a qualquer comunidade carente. Eletricidade, saneamento, saúde e educação praticamente inexistem. Usar “aldeia” ao invés de “favela” deve-se unicamente à cultura dos residentes, quase um eufemismo.

Quando eu cheguei por ali, nada entendi. Esperava encontrar na “aldeia” índios pelados morando em ocas, caçando e coletando. O que vi foram pessoas tão vestidas quanto eu, comendo as mesmas coisas que eu compro no Mundial, morando em barracos improvisados e lama, muita lama. Devido à falta de pavimentação, quando chove o lamaçal é generalizado. Contando-se que aos 600 moradores juntam-se 400 cachorros, dá para deduzir que as condições de higiene não são as melhores.

 

Tradições guaranis – Apesar de oprimidos em filas, vilas e favelas, os Guaranis mantém rígidos certos traços de sua cultura. O idioma Guarani é mais difundido do que o português entre eles (algumas crianças falam apenas Guarani). Um indígena não pode casar com um não indígena, sob pena de ser excluído da tribo. Garotos costumam casar entre 12 e 16 anos. Há encontros e celebrações periódicos entre as tribos indígenas cariocas, paulistas e catarinenses. A homossexualidade, segundo eles, inexiste na tribo, um sinal de que não é aceita.

 

Transculturação – Apesar de todos esses esforços, fica claro que manter a cultura é um desafio crescente. Na aldeia foi possível ver moicanos a la Neymar, MP3 players, funk, cordões de prata, “roupas de marca” e a paixão deles pelos clubes de futebol. Um garoto de 19 anos, por exemplo, já havia se casado seis vezes (!!!), sinal de que seguira a regra do matrimônio prematuro, mas na noite anterior havia dormido tarde por jogar Playstation.

 

Os Tekoa Pyau mostram como é sutil, profunda e frágil a questão indígena no Brasil. Soluções improvisadas dão origem a aberrações como uma aldeia que mais parece uma favela. O esforço dos índios para manterem a cultura é comovente, mas, assim como sua aldeia, eles parecem um pouco perdidos geográfica e culturalmente. Sinceramente, não sei o que concluir sobre o que vi. Tekoa Pyau é o avesso do avesso do avesso do avesso.

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