Quem foi Arsênio da Silva?

Há exatos 130 anos falecia, em Salvador, Arsênio Cintra da Silva. Ainda no final deste mês, serão 180 anos de nascimento do mesmo Arsênio. Nenhuma das duas datas, porém, é lembrada pela mídia ou pela opinião pública. Não há qualquer exposição, homenagem, notinha na imprensa. Arsênio da Silva vai precisar esperar por outra data redonda para ser comemorado.

Não pense, porém, que o desinteresse por sua vida e obra signifique irrelevância de sua figura. O recifense Arsênio da Silva foi um dos mais importantes pintores e fotógrafos do Brasil, devido ao seu pioneirismo em diversas técnicas.

Recebeu seus primeiros ensinamentos de arte na capital pernambucana. Depois, seguiu para a Europa para aperfeiçoar seus estudos em Roma, onde viveu de 1850 a 1853, e em Paris, de 1958 a 1960. Em terras estrangeiras, entrou em contato com a pintura a guache e foi o responsável por trazer a técnica ao Brasil. Da mesma forma, foi pioneiro da temática orientalista, aprendida na capital francesa. Suas cenas de paisagens exóticas típicas do norte da África são as primeiras com o tema a serem catalogadas no nosso país.

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Arredores de Paris – 1860

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 Casamento da Princesa Isabel – 1864

Não só na pintura foi precursor. Teve um rico trabalho como fotógrafo e fotojornalista. Sabe-se que o início da fotografia no Brasil foi nos anos 30 do século XIX, com o francês Antoine Hercules Romuald Florence. Em 1840, Dom Pedro II se encanta pela técnica e, ao adquirir um daguerreotipo*, se torna o primeiro fotógrafo brasileiro. É em 1860 que Arsênio inicia um primoroso trabalho com a incipiente fotografia no Brasil. Em 15 de outubro de 1864, documentou o casamento da Princesa Isabel com o Conde d’Eu, no Largo do Paço. Foi o próprio Dom Pedro II quem adquiriu sua obra, que hoje integra a Coleção Thereza Cristina Maria do acervo da Biblioteca Nacional.

O crítico Celso Kelly diz, em seu livro Arte no Brasil, “Na paisagem foi um dos precursores da pintura tirada diretamente do natural. Daí o interesse histórico de sua obra, marcada por certo pioneirismo, a caminho do ar livre e das implicações renovadoras, consequentes do contato com a natureza. (…) Fugindo ao convencionalismo da época, marcou lugar nas artes de seu tempo”.

Pouco antes de sua morte, Arsênio caiu no ostracismo. O motivo seria justamente o pioneirismo do artista. “Um verdadeiro artista, morto sem ter tido toda a admiração que merecia, sem ter ocupado, entre os pintores, o lugar de honra a que seu talento lhe dava direito, eis a história de Arsênio da Silva”, publicou a Revista Ilustrada, manifestando o pesar pelo não reconhecimento do pernambucano. Não reconhecimento que, infelizmente, perdura até os dias de hoje. Dentro da academia, há um esforço de alguns intelectuais de dar o merecido destaque a Arsênio da Silva, mas uma exposição dedicada especialmente a ele não acontece desde 1879, quando ainda era vivo.

“Há na maior parte dos trabalhos de Arsênio, até n’aquelles que somenos importância, uma nota sentimental, uma melancolia pertinaz, cuja origem encontra-se no temperamento do homem. Arsênio foi um desacoroçoado”.

(Gonzaga Duque, em A arte brasileira: pintura e esculptura, 1988).

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