Duas semanas na Maré – Parte 2

No post anterior, falei sobre a primeira parte das minhas duas semanas na Maré – “A comunidade”, “A escola”, “Os pais” e “O governo”. Agora segue a segunda parte da aventura:

 

ImageO professor: O profissional que educa uma criança é tão importante que deveria ser bem pago e bem preparado, certo? A Prefeitura acha que não. Os professores recebem R$ 700 para um trabalho estressante e extenuante, sem acompanhamento psicológico e praticamente nenhuma formação específica. É natural que os melhores profissionais fujam desse trabalho. Quem vira professor do município em regra é porque não arrumou nada melhor ou está começando a carreira. Com o tempo, ficam desmotivados. Muitos fazem ótimos trabalhos, e não é exagero chama-los de guerreiros.

 

Os alunos: A turma para a qual fui designado se chama “Nenhuma criança a menos”, comImage alunos entre 8 e 10 anos. Trata-se de uma maquiagem da Prefeitura para melhorar os indicadores, semelhante à aprovação automática. Crianças que deveriam ter sido reprovadas são alocadas em uma turma “especial”, onde presume-se que recuperarão o tempo perdido. O “problema”, assim, é concentrado e segregado. No fim do ano, as crianças serão novamente aprovadas na marra e passarão a ser responsabilidade do Estado, já que irão para o ensino médio.

Essa parafernália para inglês ver cria uma turma desestimulada e sem auto-estima, onde é muito difícil ensinar. A maioria das crianças (de 10 anos!!) não sabe ler nem escrever. Além disso, a violência onipresente na vida deles é reproduzida na sala. Chutes, socos, palavrões e as mais diversas formas de agressão são constantes. Um garoto chegou a sair da sala com o nariz sangrando depois de tomar um soco.

 

Pra não dizer que não falei de flores: Para não dizer que só falei mal, ai vão coisas boas do CIEP. Os funcionários – professores e cargos administrativos – eram quase todos muito empenhados e lutavam contra essa corrente de problemas. O espaço, construído no governo Marcello Alencar seguindo as diretrizes de Leonel Brizola, é amplo e permite uma ótima educação, apesar de estar largado.

 

No fim das contas, uma certeza: o buraco está bem embaixo. 

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