Com a minha licença

por Marina Martins

“Mas falta uma coisa. Eu vou tê-la. É uma espécie de liberdade, sem pedir licença a ninguém.”

Finalmente, percebo que posso conhecer tal liberdade. Não é porque daqui a menos de uma semana é ano novo (época em que a maioria das pessoas costuma pensar que tudo irá mudar em suas vidas), mas sim porque agora poderei seguir um novo caminho, aquele que escolhi de acordo comigo e com meus interesses. É também uma liberdade onde me permito ser egoísta e pensar em mim. Apenas em mim. Enfim consigo imaginar como deve ser trilhar o meu rumo, construir e manipular o meu destino, obedecer às minhas cobranças e de mais ninguém. Estou livre para sentir medo. E esse medo não é aquele pavor do que irá acontecer, de “será que vou conseguir”… não, nada disso. É um medo distante, um frio na barriga esquisito e gostoso, que olha para o futuro e tenta encontrar algo definitivo no pensamento, mas não consegue. Tenho mais dois meses de (quase) total liberdade e então serei livre para pensar mais em mim e tentar parar de me (pre)ocupar tanto com os outros. É bom eu me dar a licença para ganhar uma liberdade de me encontrar e me conhecer mais. E essa liberdade apenas eu tenho o direito a me dar permissão. E, assim, vou encontrando meu mundo. Ou então, como Clarice, vou aos poucos descobrindo o mundo. “Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s