Experimentos bizarros – O sem-limites da ciência

É inegável o importante papel que a ciência tem nas nossas vidas. Remédios, vacinas, transplantes e aparelhos eletrônicos são apenas alguns dentre muitos exemplos. Para que sejam feitos avanços nos meios médico e científico em geral, são necessários diversos estudos, pesquisas e, muitas vezes, experimentação. Um experimento pode variar desde uma simples mistura de substâncias num tubo de ensaio, até… bom, prepare-se para descobrir.

A seguir estão listados 5 dos mais bizarros experimentos já feitos por cientistas. Ainda que pareçam saídos de um filme de ficção científica ou mesmo de terror, são todos reais.

 

  1. Vladimir Demikhov e os cães de duas cabeças

 

cao duas cabeças

 

É isso mesmo. Cães de duas cabeças. Em 1954, o soviético Vladimir Demikhov uniu cirurgicamente a parte anterior (= parte da frente) do corpo de um filhote de cachorro ao pescoço de um outro cão adulto. E ele não fez isso apenas uma vez… repetiu o experimento 20 vezes! Os animais sobreviveram por curtos períodos de tempo, devido à rejeição dos tecidos. (Se você não acredita, tem um vídeo dos cães para provar: http://www.youtube.com/watch?v=uvZThr3POlQ )

O objetivo do médico era avançar nos transplantes de órgãos vitais humanos. De fato, o primeiro transplante de coração humano foi realizado em 1967 pelo sul-africano Christian Barnard, que se considerava um aluno de Demikhov.

O experimento soviético foi tão bem visto na época, que até incentivou outro cientista, Robert White, americano (no meio da guerra-fria, os EUA não podiam deixar de competir com os soviéticos!) a realizar em 1970 um transplante de cabeça entre macacos! O animal sobreviveu pouco mais de um dia.

 

  1. Os nazistas e seus “experimentos”

crianças nazismo

Se você ficou impressionado com os cães unidos cirurgicamente, o que você acha de crianças humanas unidas cirurgicamente? Foi isso que o médico nazista Joseph Mengele fez com um par de crianças ciganas no campo de concentração de Auschwitz, na tentativa de criar gêmeos siameses. É claro que as crianças também não sobreviveram por mais do que alguns dias.

Os médicos nazistas ficaram famosos pela crueldade de seus experimentos, muitas vezes realizados sem qualquer propósito ou rigor científico. Outros tantos, no entanto, serviram para geração de importantes conhecimentos utilizados ainda hoje.

Eram testados, por exemplo:

> os limites de resistência ao frio, com prisioneiros imersos em água gelada até a morte por hipotermia;

> a resistência à pressão

> os resultados de contaminação de ferimentos por terra, metais, madeira e outros matérias para simular possíveis ferimentos de guerra;

> há diversos relatos de cirurgias realizadas sem anestesia, como no estômago ou no coração, além de uma infinidade de outros experimentos cruéis.

E não foram apenas os nazistas que realizaram experimentos mais do que cruéis em seus prisioneiros. O japonês Shiro Ishii também ficou conhecido por comandar atrocidades em prisioneiros da guerra sino-japonesa, como estudo de DST (doenças sexualmente transmissíveis) através sua inoculação pelo estupro, além de amputação de membros para prendê-los novamente em outra parte do corpo, por exemplo.

 

  1. Dr. Stubbins Ffirth e o vômito

 

vomito

 

No século XIX, o Dr. Ffirth se convenceu de que a febre amarela não era contagiosa. Para tentar provar que estava certo, o médico fez cortes em seu braço e derramou neles vômito de pessoas doentes. Não ficando doente, ele decidiu ir mais longe: pingou vômito nos próprios olhos e, ainda saudável, decidiu beber o vômito!

Mesmo tendo ido tão longe para provar que estava certo, hoje sabemos que Ffirth estava errado, pois a febre amarela é, sim contagiosa. A razão para o médico não ter contraído a doença é que a forma de transmissão não é o vômito, mas sim os mosquitos Aedes aegypti (nas cidades) e Haemagogus janthinomys (no campo). Para saber mais, acesse http://www.febreamarela.org.br/ .

 

  1. John Money e o menino/menina

sexos

 

        Nos anos 1960, nasceram 2 gêmeos idênticos, meninos. Com problemas para urinar, os médicos decidiram circuncidar os bebês (cortar o prepúcio, uma pelezinha existente no pênis) e, por um erro, queimaram completamente o pênis de um dos bebês. Foi então que eles recorreram ao psicólogo John Money, que decidiu conduzir o quarto experimento bizarro da nossa lista: criar o bebê sem pênis como se fosse uma menina, sem jamais contar-lhe a verdade. O psicólogo acreditava que não era a biologia que determinava quem era homem ou mulher, mas sim a criação, e viu nos gêmeos a oportunidade perfeita para seu experimento: um menino bebê sem pênis, que poderia ser criado como menina desde o início da vida, e seu irmão gêmeo como grupo controle, para comparar os resultados. Realizaram outras cirurgias para completar a mudança do bebê para o sexo feminino e começaram o experimento.

             Ao contrário das expectativas do psicólogo e dos pais, quando o menino/menina atingiu a puberdade, começou a ter impulsos suicidas. No fim das contas, não era feminina como as outras meninas, não gostava das mesmas coisas que elas, sendo ridicularizada por todos e não tendo amigos. Seus pais decidiram, então, acabar com o “experimento” e contar à filha a verdade, que decidiu então voltar a ser homem, David, se é que havia algum dia deixado de o ser. Fez cirurgia para reconstruir seu pênis e até casou-se.

           Mais tarde, David descobriu que seu caso havia sido publicado por Money com um pseudônimo, “Caso John/Joan”, como se o experimento tivesse sido um sucesso, incentivando que o mesmo fosse feito com outras crianças em situação semelhante. O impacto da informação fez com que a depressão voltasse, até que ele acabou de fato cometendo suicídio. 

            É, parece que o resultado do experimento não foi nada bom. Hoje, os médicos e psicólogos buscam alternativas melhores para casos como o de David, e a criação de meninos como se fossem meninas está se tornando cada vez mais rara. 

 

  1. Stanley Milgram e a obediência

 

obediencia milgram

 

O experimento da obediência de Milgram completou 50 anos em 2011. Ele funciona da seguinte forma:

       O voluntário acredita que está participando de um experimento sobre memória e importância da punição no processo de aprendizagem. Ele possui o papel de “professor” no experimento, havendo um “aluno”. Ele deve fazer algumas perguntas ao aluno e, cada vez que a resposta for errada, deve aplicar um choque no aluno, de voltagem progressivamente maior a cada erro cometido. Ele é instruído a seguir esse procedimento até uma voltagem mortal para seres humanos. O que ele não sabe, é que o “aluno” é um ator contratado, e nenhum choque lhe é realmente aplicado. Os resultados foram espantosos: 65% dos participantes prosseguiu até o final, ou seja, 65% deram o “choque mortal”, mesmo com gritos e pedidos do aluno para que parasse.

        O objetivo do psicólogo era tentar entender como pessoas comuns, até então consideradas “de bom caráter”, podiam ter participado do holocausto (no nazismo) cometendo tamanhas atrocidades.

           Milgram recebeu fortes críticas – o experimento foi julgado como excessivamente impactante para os voluntários, pois mesmo sem terem dado choques verdadeiros eles se sentiam culpados e assombrados por suas próprias atitudes. Um ano mais tarde, no entanto, depois de investigar o caso, a Associação Americana de Psicologia considerou o experimento válido e, desde então, ele já foi repetido em diversas partes do mundo, com a proporção de 65% se mantendo com pouquíssimas variações.

           Um vídeo curtinho mostrando o experimento: http://www.youtube.com/watch?v=VT3wKbBNo64

 

E para quem se interessar, aqui vai um outro experimento mais ou menos nesse sentido, que gerou o chamado “efeito lúcifer”, ainda mais controverso, que encarcerou os voluntários numa prisão, alguns como guardas, outros como prisioneiros, mostrando o efeito do ambiente e do poder nos seres humanos. Vale à pena dar uma olhada!  http://www.youtube.com/watch?v=9ibFtbdZMsY

________________________________________________________________________

 

Esses foram experimentos bizarros, que definitivamente testaram os limites da ciência e de seus envolvidos. Ainda que tenham muitas vezes contribuído para o progresso acadêmico humano, envolvem questões éticas bastante discutidas até hoje, como se é ou não válida a realização de experimentos envolvendo sofrimento de seres humanos e outros animais; ou no caso de já terem sido realizados, será que os conhecimentos produzidos através desses experimentos devem ser utilizados (essa questão é comum em relação aos resultados dos experimentos nazistas)? Será que há alternativas viáveis a testes realizados em humanos? E em animais? Não há respostas prontas para essas questões, fica apenas a reflexão: até que ponto deve ir a ciência? Até que ponto o bem de muitos justifica o sacrifício de poucos? Até que ponto..?

 

 

Por: Luísa Alves

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s