To pay or not to pay, that is the question: remunerar o trabalho voluntário?

 

O trabalho voluntário no Brasil nasceu e se desenvolveu atrelado à religião Católica. Devido a essa história, certa visão que temos do voluntariado remonta à ideia de caridade religiosa. Um exemplo é a questão da recompensa financeira. A igreja via o trabalho social espontâneo não remunerado como um sacrifício necessário para a expiação dos pecados, sendo incoerente, portanto, qualquer retorno material. O que noto é que até hoje a ideia de ganhar dinheiro em um trabalho dessa natureza é mal recebida. Comecei a ver isso nas reuniões do PECEP. A discussão sobre pagar voluntários sempre gera mal-estar, como se estivéssemos falando sobre um crime. Conversando com pessoas que coordenam trabalhos sociais, percebi que a polêmica é generalizada.

 

 

 

Acho essa visão defasada. Acredito que a ideia de que o dinheiro possa “contaminar boas intenções” não vai muito além da herança de uma igreja que nunca teve boas relações com a acumulação de riqueza. No PECEP, por exemplo, o fato de não remunerarmos de forma alguma os professores gera uma evasão de voluntários talentosos que saem para “ganhar a vida”.

 

 

 

Já ouvi muito a ideia de que, para além de uma remuneração financeira, vale mais a “troca”. Ou seja, apesar de não pagar os professores, oferecemos ganhos suficientes em outras dimensões (satisfação, inteiração com os alunos, etc). Acho que idealmente essa visão é linda, mas como as pessoas precisam pagar as contas, a falta de uma remuneração material continua nos trazendo problemas: perdemos talentos a cada ano, sofremos com voluntários displicentes e, em última instância, temos dificuldades para crescer e gerar maior impacto social. A ideia é ótima, mas simplesmente não soluciona nossos principais problemas.

 

 

 

To pay or not to pay é um debate quase interminável na área do voluntariado. Pagando ganha-se eficiência, mas é necessário, claro, cuidar para que certo espírito altruísta não dê lugar ao simples interesse material. Não remunerar gera uma série de contratempos (perda de talentos, falta de compromisso de alguns voluntários, etc) difíceis de sanear de outra forma. Acredito que entre mudar o mundo e pagarmos profissionais competentes, bom mesmo seria podermos ficar com os dois.

 

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Um comentário sobre “To pay or not to pay, that is the question: remunerar o trabalho voluntário?

  1. Acredito que o grande Problema dos PVP ‘s ( Pré vestibulares populares) são as contrariedades do modelo estrutural que a maioria dos Pré ‘s se utlizam. Concordo plenamente na sua comparação do voluntariado como caridade cristã. É triste pensar que pessoas que partcipam desses projetos como voluntários cultivem o sentimento de caridade, pois esse nada mais é do que a variação da piedade, ou seja, os indiivíduos paricipam do projeto por pena! É triste mas acontece.

    A questão da remuneração. Acho que funcionaria como estimulo aos talentos, como o texto diz . Precisamos deles, nem que estes sejam capitados por meros interesses financeiros. A qualidade das atividades e aulas é essecial.

    Alunos de graduação em licentura que estagiam em Cursos pré vestibulares pagos ganham de 600,00 a 1.200 reais por mês, todavia a carga horaria de trabalho é muito extensa e ainda por cima, em alguns casos, são até desvalorizados enquanto profissionais.

    Essa é a grande sacada. Os pré sociais poderiam ser uma alternativa de estágio a esses talentos docentes que por muitas vezes se sentem explorados e pouco prestígiados. Como capita -los? O que poderiamos oferecer?

    – Carga horária menor

    – valorização profissional, e ainda, experiencia real de trabalho. Não um trabalho de monitoria simples, mas um trabalho de docencia, numa sala nao com 5 alunos que tiram as dúvidas, mas com 30, 40 alunos.

    – hora aula maior ( a variação de horas aula de cursos pagos e colégios para estágiarios e monitores é de 3, 50 a 15 reais). Poderiamos jogar essa hora aula para 20 ou até 30, pois nossa carga horária é menor.

    – Convenios com universidades e a criaçao de estagios certificados, que poderiam ser usados como horas nas disciplinas de prática de ensino.

    – Acho que assim mudariamos essa situaçao.

    Abraço Marcos, excelente texto ( desculpe alguns erros de português : escrevi com pressa.

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