Dicas de leitura: “O ex-estranho” – Paulo Leminski

Os últimos poemas de Leminski, ajuntados, compõem este livro cuja marca principal deve ser a paixão. Não a melodramática, clichê e brega que, inocentemente, costuma ser associada à poesia. Outra, a paixão pela linguagem e, portanto, pela vida – até porque, como diria Eduardo Portella, “A vida é um problema de linguagem”.

E Leminski era desses, que demonstra sua paixão em versos rápidos e, geralmente rimados, com tanto ritmo que quase não conseguimos agarrar, tamanha a velocidade. Abraçar, só depois de lido, relido e ingerido.

Nesta edição fina e que se lê em uma tarde – quase metonímia para sua poética –, a cara do curitibano multimídia e “causador” está às claras. Quem não o conhece o vê anunciando o mal estar do nosso contemporâneo, a ausência de lugar e esse sentimento de desconforto. Um eterno fora do ninho. Mas talvez não seja isso a própria poesia? Um modo de aceitação do not-belonging em relação à vida? Quem sabe… Até porque, Leminski, “viver não tem cura”.

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o barulho do serrote
o barulho de quem lava roupa
parecem o choro de quem chora
uma vida pouca
parece até que está na hora
de levantar
e ver que a vida
nunca vai ser outra

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acordei e me olhei no espelho
ainda a tempo de ver
meu sonho virar pesadelo

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