Dica de leitura: “Lero-lero” – Cacaso

Para quem vê no gênero Poesia um troço difícil, complexo e cheio de linguagem truncada, esse livro do Cacaso (Antonio Carlos de Brito) certamente vai desmistificar tal pensamento. Característico da geração dos anos 70 – também chamada de Poesia Marginal – Cacaso busca na fala da rua, dos porteiros e taxistas, a matéria de sua poesia. Com uma linguagem rápida e rasteira, essa poesia vem e de repente já se esvai, tamanha rapidez. Isso porque a maioria dos poemas pode ser vista como “poema pílula” – para tomar de um gole só. Assim, a ingestão se dá rapidamente, mas o efeito vem só depois. Essa é a natureza dos poemas curtinhos que também consagraram Leminski e Chico Alvim, só para citar 2 dos mais conhecidos.

Alguns desses poemas, posto que rápidos, batem como um soco que revelam tudo em poucas linhas, gerando no leitor alguma forma de afetação (que é o objetivo principal de qualquer poeta e poema). Para aqueles que buscam ser iniciados em poesia, a Marginal costuma ser uma ótima porta de entrada. E essa edição da CosacNaify ainda por cima é belíssima (o que é óbvio, pois a Cosac prima por beleza e qualidade) e barata, já que é livro de bolso (ou portátil, como eles chamam).

Ficam, então, 3 poemas só para dar um gostinho do que é esse livro.

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INFÂNCIA (2)

Eu matei minha saudade mas depois

veio outra

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VESTIBULAR

Não creio mais na metafísica porque tenho

medo da morte

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