Nossos cangurus

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O flanelinha é a praga-síntese do Rio de Janeiro, espécie típica da nossa cidade. Ele sintetiza o que temos de pior, sendo perfeito reflexo de seu habitat natural.

 

Estes “profissionais” são acima de tudo criadores de impostos. E o que amamos mais do que isso? Vivemos numa nação em que 30% do PIB é tomado pelo Estado sob forma de tributos, herança de um passado em que a coroa sugava o que podia da colônia. Os flanelinhas apenas dão sequência a essa honrosa tradição, criando um simbólico imposto de “cinco real ai, colega” para que você pare o carro.

 

Outra prática fielmente seguida pelo flanelinha é a apropriação privada do espaço público. O carioca não aguenta ver uma calçadinha que já vai metendo a mão. Camelôs montam barraquinhas, outro sujeito vende cachorro quente, o mendigo arma uns papelões e começa a chamar de “minha casa” ou um bar coloca umas mesas pros fregueses. Seja lá de que forma for, o espaço comum não é visto como “de todo mundo”, mas “de ninguém”, à espera do primeiro espertinho a se apossar dele (como ocorre com o dinheiro público). O flanelinha é o que toma para si o fillet mignon das vagas.

 

Talvez mais impressionante do que esse fenômeno da “flanelagem” seja o fato dele sobreviver sem ser incomodado. A população instruída aceita passivamente ser roubada de pouco em pouco por esses “profissionais”. É a mania da classe média carioca covarde de se abster dos assuntos públicos, o mesmo deixa-pra-láismo que permitiu, por exemplo, a explosão do tráfico e da violência bem debaixo do seu nariz.

 

A espécie dos flanelinhas é “nascidicriada” na cidade maravilhosa porque aqui encontra as condições ideais para tal. É um subproduto das nossas manias de criar impostos e de se apropriar do espaço público. Só sobrevive porque a gente acha melhor não incomodar, como se não fosse nosso dinheiro indo para o ralo. Cada lugar tem a espécie típica que merece: a Austrália tem o canguru, a Ásia, o tigre, a África, o leão e o Rio de Janeiro, o flanelinha.

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