Marcelo Freixo não é Jesus Cristo (Juro que não é!)

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De tempos em tempos a classe média carioca entra numa exuberância eleitoral irracional. Cansada dos políticos tradicionais e culpada por não fazer nada, escolhe um candidato-messias. Em 1982 foi Leonel Brizola para governador. Em 2002, votei e vibrei na eleição que consagrou Lula presidente. Este ano, o novo Jesus é Marcelo Freixo.

 

 

Qual o programa de governo dele? Como foi o seu mandato como deputado? Pois é, quase ninguém sabe informações básicas sobre o candidato ou a candidatura. Mas não importa. O que o senso comum já sabe, um misto de informações irrelevantes e passionais, faz dele um candidato quase irresistível: Freixo não é rico, não é ficha suja e lutou contras a milícias; Marcelo Yukka, o vice, é ligado a causas sociais e tem uma história de vida sofrida; a campanha vai se pautar no atraente discurso do “fé e esperança para mudar tudo isso que está ai”; e, por último mas não menos importante, personalidades públicas de boa imagem o apoiam. Freixo é apaixonante.

 

 

Existem alguns baldes de água fria que devem ser jogados nesse caldeirão do amor:

Coligação muito fraca (excessivamente esquerdista e isolada) – Supondo-se que seja eleito, ou Freixo terá que fazer pacto com o diabo, como Lula fez com o PMDB, ou não conseguirá governar. Talvez escolher um vice de outro partido tivesse ajudado.

Freixo não tem vida pública que permita um julgamento preciso – Está há apenas oito anos na política e tirando a CPI das milícias não fez nada de grande destaque.

Nunca foi administrador – Já começaria administrando uma cidade como o Rio. Sem experiência, a chance de um fiasco seria maior.

Freixo fez uma lei em prol do ensino religioso nas escolas públicas – No mínimo, já tenho essa discordância com ele.

Yukka para vice achei precipitado – Ele não tem relevância política para dialogar nos bastidores nem experiência administrativa. Tenho minhas dúvidas sobre até onde ele pode agregar.

 

 

Não sou pró-Freixo nem contra ele. Na verdade, eleitoralmente falando, nesse momento não sou nada. Só acho um pouco ingênuas posições tão apaixonadas com tão pouca informação. Mandela, na África do Sul, Lech Walesa, na Polônia e Brizola, no Rio, foram alguns dos que subiram com muita euforia e pouco fizeram. Talvez quando a campanha começar, ao ouvir os Sermões da Montanha, possamos finalmente concluir se Freixo é mesmo essa coca-cola toda.

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3 comentários sobre “Marcelo Freixo não é Jesus Cristo (Juro que não é!)

  1. Acho ótimo que sejam feitas críticas ao Freixo, e tanto melhor que isso aconteça em textos racionais como o seu ao invés dos panfletos recalcados do reinaldo azevedo. No entanto, eleitor empolgado do Freixo que eu sou, tenho algumas ressalvas para fazer.

    SOBRE A COLIGAÇÃO- Sim, uma coligação fraca pode ser um mal negócio, mas também tem um lado positivo. Marcelo terá muito mais liberdade para escolher seus cargos de confiança e, uma vez eleito, não terá problemas com rabos presos, ou dívidas com outros partidos. Existe uma eleição para a câmara em curso, então existe uma chance de Freixo ter um corpo de vereadores mais simpáticos a seu mandato, o que ajudará na governabilidade

    SOBRE A VIDA PÚBLICA E ADMINISTRAÇÃO- Lula teve apenas um mandato legislativo antes de assumir a presidência do Brasil, e hoje é reconhecido como um grande gestor e ator político, mesmo por seus adversários. O próprio Eduardo Paes tinha ocupado cargos eletivos apenas no legislativo. Mesmo sem pensar nessas comparações, o fato é que Freixo tem uma experiência de mais de 20 anos em direitos humanos, inclusive com diversas crises administradas em rebeliões em presídios. O seu perfil é sim de administrador.

    SOBRE YUKA – Acho que o Freixo consegue agregar em torno de si alianças importantes da sociedade civil, inclusive o próprio Yuka é um reflexo disso. É uma forma ousada de pensar a política, e admito que possa dar errado. Mas o fato é que as alianças sendo feitas preferencialmente com a sociedade civil são um ato consciente do Marcelo, uma vez que os partidos políticos em sua maioria estão unidos numa aliança espúria interessada em cargos e desvios de verba. Nada demais nisso, é o comportamento usual no Brasil.

    PRA FINALIZAR- Com todo o respeito, acho de uma certa arrogância que se parta do pressuposto que a maior parte do eleitorado do Freixo está apaixonada por ele sem conhecê-lo. Os grandes momentos de sua atuação parlamentar estão disponiveis on-line, na forma de vídeo e texto, e são sempre muito acessados. Prefiro pensar de que as pessoas estão, ou pelo menos uma boa parte delas está, lendo e se informando.

  2. Amigo,

    Propagar opiniões próprias sem fundamento, como notamos no vídeo acima não é digno de um bom eleitor. Procure embasar seus argumentos com fatos, não interpretações. Por acaso você já conversou com o Deputado ou visitou seu gabinete na ALERJ?

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