Liberdade com rigor

Já pensou numa escola em que o aluno pode escolher o que quer estudar, qual aula quer assistir e sem ser penalizado?

Existem alguns modelos de escola com esses princípios, hoje vou falar sobre a Summerhill, uma escola interna localizada na Inglaterra  e  criada pelo educador escocês Alexander Sutherland Neill há 90 anos atrás. Summerhill é considerada uma escola democrática, pois conjuga uma gestão democrática com a flexibilização curricular, em que as aulas são opcionais.

Transcrevo alguns trechos da matéria publicada na Revista Nova Escola, que você pode ler na íntegra clicando aqui.

“Os 48 mil metros quadrados da propriedade estão polvilhados de verde, terreno fértil para acampamentos, escaladas em árvore e toda sorte de explorações. Pelo conjunto de casas, se espalham salas de aula e laboratórios, espaços de convivência (refeitório, sala de jogos, café e cinema) e dormitórios. O clima lembra uma vila de interior.

A prática do ensino opcional materializa o pensamento de Neill sobre a Educação. Para ele, os pequenos são naturalmente curiosos e, se receberem os recursos e as orientações que pedirem, terão prazer em aprender. Summerhill, nas palavras de seu criador, seria o lugar da “busca da felicidade”, sinônimo de interesse pela vida, alcançado por meio de uma Educação ao mesmo tempo intelectual e emocional. Num tempo em que os castigos físicos infantis eram vistos com naturalidade, o pensamento de Neill foi tachado de anárquico. As aulas em Summerhill são tudo, menos isso. O currículo é organizado numa grade tradicional: Ciências, Matemática, Inglês, Línguas Estrangeiras, História, Geografia e Arte, além de cursos de teatro, música, carpintaria e informática. Ninguém faz provas nem – óbvio – repete de ano. Também não há um método de ensino específico: da sala para dentro, cada um leciona como quer. A nota de quem presta a prova equivalente ao Enem costuma ser superior à média nacional. Mas muitos estudantes se formam sem fazer prova alguma, o que a lei inglesa permite.

Boa parte das lições não envolve conteúdos curriculares, mas a difícil arte da convivência. O espaço privilegiado para a tarefa são as assembleias, que ocorrem duas vezes por semana e têm dois momentos distintos. O primeiro é a exposição de conflitos: queixas de sujeira, reclamações sobre salas desarrumadas e, ocasionalmente, episódios de bullying (punidos com um conjunto de medidas, que inclui ficar no fim de todas as filas e não poder usar TV e computador). O segundo é a criação (ou revogação) de regras que ordenam a escola. Elas são mais de 150 e tratam, como todas as leis, sobre os limites da liberdade – o que em Summerhill significa o direito de fazer o que quiser, contanto que se preserve o espaço do outro. Como exemplifica o fichário de normas, disponível em vários ambientes da escola: “Você pode andar sem roupas, pintar o cabelo e nunca ir às aulas porque isso é só da sua conta. Mas você não pode ouvir música alta às 3 da manhã, fazer xixi na sala ou andar de skate no corredor porque afeta outras pessoas”.

Como sintetiza Neill, numa frase com que a filha Zoe encerra todos os seus e-mails: “Preferiria que Summerhill produzisse um varredor de rua feliz do que um primeiro-ministro neurótico”. Uma definição de sucesso escolar para a qual o mundo talvez precise de mais 90 anos para entender.”

Acho interessante o modelo de Summerhill, mas sei que também é um tanto quanto polêmico… afinal, alguns de seus métodos vão na contramão de muito o que foi estudado sobre Educação ao longo dos séculos XX e XI.

Por outro lado, Paulo Freire (autor da máxima que utilizo como título desse post) já dizia que existe sim a liberdade com rigor, afinal, liberdade não é o mesmo que libertinagem. A liberdade gera responsabilidade (essa é do Sartre!) e com isso também a autonomia do aluno em formação. Que bom seria se todos crescessem com noções de responsabilidade e autonomia sobre seus atos e suas escolhas…

A boa notícia é que no Brasil já existem algumas iniciativas de escolas seguindo esse modelo! Em breve falaremos sobre elas.

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