Não enche!

Image“Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? (…) são a mesma juventude que vai sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem!

(…) Vocês estão por fora! Vocês não dão para entender!

Mas que juventude é essa? 
Vocês jamais conterão ninguém!
Vocês são iguais sabe a quem?
Vocês são iguais sabe a quem?
Àqueles que foram a Roda Viva e espancaram os atores…
Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada!”

(Caetano Veloso, 1968, no 3º Festival Internacional da Canção, ao ser vaiado por usar guitarra elétrica, elemento “americanizado”, em “Proibido proibir”)

 

  

O discurso inflamado de Caetano foi uma resposta à patrulha ideológica da qual estava sendo vítima. Aqueles que o vaiavam estavam exercendo o que mais tarde viria a se chamar “ditadura da esquerda”: posições radicais e discriminatórias em prol de princípios libertários, teoricamente opostos a qualquer opressão ou dominação. O impressionante é que mais de 40 anos depois as palavras de Caetano me parecem muito atuais para descrever boa parte dos “intelectualizados” da nossa juventude.

 

Em muitos debates, virtuais ou não, tenho observado que alguns dos meus contemporâneos dividem o mundo em “bom” e “mau” ou “dominados” e “dominadores”. Elegem alguns elementos como as fontes isoladas de todos os males do mundo (o capitalismo, os bancos, os EUA, o empresariado etc.) e repudiam quem se associa a eles ou mesmo quem tem qualquer impressão positiva sobre. Por outro lado, vale tudo para argumentar em prol dos símbolos imaculados do bem (o social, a democracia, a soberania popular e demais conceitos às vezes não muito precisos), pois isto é “estar do lado certo”, “ter consciência”.

 

O radicalismo contra as ideias “más” é tão nefasto quanto as ideias que critica. Qual a vantagem de se combater a “opressão dos dominadores” com outra opressão, a das ideias “do bem”? O resultado é um discurso “lindo e imaculado”, mas contestável e vazio. Contestável porque, sendo radical, contribui apenas para criar divisões (“Salve o nacional, fora o estrangeiro!”). Vazio, pois normalmente os patrulheiros pouco conhecem daquilo que criticam e usam ideias e expressões feitas (“mercantilização”, “mais-valia”, “todo poderoso dinheiro”) sem gerar nenhum debate válido.

 

Infelizmente, o discurso de Caetano, de 1968, me parece ainda hoje atual. É normal ouvirmos ditadores de esquerda assumirem o papel de “todo bem do mundo” e argumentarem radicalmente em prol das ideias “imaculadas” e pouco precisas contra a “tirania opressora”. Quem nunca ouviu o discurso vazio do grande capital x soberania popular? Ainda hoje, tem gente que acha superbacana combater uma tirania com outra. Pra eles apenas um recado: não enche!

 

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7 comentários sobre “Não enche!

  1. Marcos… acho difícil você classificar alguém como “ditador” quando você impede publicações de comentários, não se inclina ao diálogo e ainda diz, e eu cito: “a coluna é minha e eu falo bem de quem eu quiser”. Mas isso é minha opinião. Fique bem, viu?

    1. Soh para deixar claro: TODOS os comentarios feitos cuja solicitacao de aprovacao foi enviada pelo wordpress foram autorizados e publicados.

      1. Estranho, pq no meu comentário no texto do homem cachorro tá “Por favor: Seu comentário está aguardando moderação.”…

      2. Breno, por alguma razão seu comentário foi para “pendente” direto (não sei se alguém mandou porque o blog tem vários moderadores, mas acho difícil que alguém tenha mandado). De qualquer jeito, está lá já

  2. Pra eles apenas um recado: não ENCHAM. Vergonhoso um blog de pré vestibular não ter um português exemplar.

    1. Foi uma alusão à música do Caetano, e pelo seu título ser no singular preferi manter assim. Mas tá lindo: leiam, comentem, a opinião é livre e o que vale é o debate.

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