Feliz Dia da Educação

 (com a participação especial de Eduardo Bacal)

No último sábado, dia 28 de abril foi dia da Educação. Alguém sabia? Provavelmente não, afinal, o feriado da semana foi no dia de São Jorge.

Mas será que temos algo a comemorar? (não sobre São Jorge, mas sobre a Educação…)

A quantas anda a Educação no nosso país? Formando e libertando sujeitos? Ou alienando e formatando objetos? Aliás, quando penso nesse tipo de educação, à qual Paulo Freire chamava de “Pedagogia de transferência” ou “Educação bancária” (porque o professor apenas transfere e deposita uma “quantia” de conhecimento que os alunos recebem de forma passiva), lembro sempre da música “Another brick in the wall” da banda Pink Floyd. Para quem conhece, vale a pena ver de novo. Para quem nao conhece, assista:

Another brick in te wall

Até hoje, pode-se dizer que o clip é extremamente atual. Em linhas gerais, ele questiona o método de ensino tradicional, calcado em uma relação professor-aluno hierárquica em que os alunos não são ensinados a pensar e refletir sobre o que estão fazendo, mas apenas a apreender fórmulas decoradas sem uma mínima consciência do sentido que isso possui para a vida deles, com o nítido objetivo de formar seres alienados (para não dizer “bitolados”) . No clip, os supostos mestres de uma escola se apropriam do modelo fordista de divisão do trabalho, utilizado em larga escala durante a Revolução Industrial, e transformam os alunos em operários “cegos”. Entre outras cenas marcantes, mencione-se aquela em que os alunos caminham em filas indianas usando máscaras, o que simboliza, com muita propriedade, a perda de suas identidades. Também significativa é a cena em que os alunos são jogados dentro de um moedor de carne e dele saem triturados, o que, em uma análise mais profunda, demonstra a transformação desses indivíduos em matéria-prima. Todos os valores que lhes pertencem são abruptamente extraídos, nada sobrando daquelas almas.

Na sequência dessas cenas, os alunos resolvem tomar partido desta situação e promovem um cenário de caos absoluto, em que cadeiras e mesas são quebradas e seus pedaços incendiados. Inclusive um dos professores é conduzido à fogueira, como forma de mostrar a “morte” e o fim daquele método de ensino ultrapassado.

Faz-nos pensar em qual o modelo de educação que desejamos criar para as gerações atuais e o legado que ficará para os nossos filhos.  A escola é um espaço em que não se formam apenas alunos, mas também cidadãos aptos a pensar e agir de maneira crítica e responsável uns com os outros e perante a sociedade. É chegada a hora de nos despreendermos dos princípios arcaicos que sempre predominaram na educação e criarmos indivíduos que aprendam a pensar livremente.

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