11 livros para ler antes de morrer: #1 O Banqueiro dos pobres

Neste livro, o empreendedor social Muhammad Yunus conta a história do seu banco de microcrédito, o Grameen Bank. Natural do Bangladesh (antigo Paquistão Oriental, antiga Índia Britânica e futuro sei-lá-o-que), ele criou o banco no próprio país, com objetivo de proporcionar crédito aos mais carentes e diminuir a pobreza.


A ideia de fundar o Grameen surgiu quando Yunus constatou que o elitismo dos bancos comerciais excluía a parcela mais miserável da população de acesso ao crédito. Aproveitando-se desse gap, agiotas faziam a festa emprestando dinheiro a juros impagáveis aos mais pobres, o que na prática relegava famílias inteiras à escravidão por dívida. Na aldeia que inspirou Yunus a criar o banco, por exemplo, 42 famílias trabalhavam apenas para pagar somas impagáveis que deviam a agiotas. O total da dívida das 42 famílias era de… US$ 27 dólares! Notando a extensão e a banalidade do problema, Yunus saldou essa dívida e fundou uma instituição que livrasse as famílias da necessidade de recorrer a empréstimos absurdos novamente. Nascia ali o Grameen Bank, que emprestava a mulheres carentes pequenas somas sem necessidade de garantias e com juros pagáveis.


Talvez a parte mais interessante do livro seja o desprendimento de Yunus frente às ideologias convencionais. Apesar de defender a atenção prioritária aos mais pobres, bandeira comumente associada à esquerda, o autor mostra-se bastante liberal em outros pontos, argumentando por exemplo pela privatização total da educação e da saúde públicas. A mensagem que extraí disso foi um a little less conversation a little more action, ou seja, se você quer ajudar, faça e pare de querer alinhar forçadamente sua ação a uma ideologia preconcebida.  Em uma área como a social, cheia de iniciativas que se perdem ou se atrapalham devido ao debate ideológico, Yunus fez o bem e, fazendo, criou o caminho.


Outro ponto interessante da obra é a falta de medo do autor em misturar ajuda aos mais pobres com conceitos capitalistas, como atividade empresarial, remuneração por metas, lucratividade, etc. Devido à mesma orientação pragmática descrita no parágrafo acima, Yunus, ao constatar o problema, buscou formas eficientes de resolvê-lo. E essa busca resultou não por acaso na criação de uma empresa capitalista com finalidade de geração de bem-estar social. Uma prova de que o capitalismo pode servir para o bem se utilizado para um fim humano ao invés da simples acumulação de capital. Dai a viabilidade e pertinência do modelo de empresa social.


A escolha de “Banqueiro dos Pobres” para começar a série de dicas de leitura não foi acidental: trata-se de um dos melhores livros que li ultimamente. Ele é bem escrito, narra uma trajetória fantástica e, principalmente, é inspirador. Mostra ser possível mudar o mundo a partir do sistema vigente, “bastando” utiliza-lo de forma mais consciente e humana. Quem ler este livro verá que tem em suas mãos todas as ferramentas para fazer um mundo diferente. O modelo está ai e a capacidade cultural e intelctual está em cada um. Basta começar.

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