Porque você não faz nada por ninguém

A tese: Você não faz nada por ninguém além de você.

A antítese: Você ajudou um mendigo e/ou fez doações e/ou apadrinhou uma criança.

A síntese: Sua “ação social” não ajudou de fato ninguém além de você e da sua consciência culpada. Você não faz nada por ninguém além de você.

Com a ajuda da NASA e de engenheiros altamente capacitados do IME e do ITA fiz o complexo gráfico a seguir, que apresenta os quatro tipos de pessoas pela sua preocupação com o mundo.

Tipo A) “Nem ai” – Encara tranquilamente o fato de não fazer nada por mais ninguém além dele mesmo. Uma postura digna e sincera, bem melhor do que as próximas duas.

Tipo B) “Tenho muita vontade!” – Diz que vai começarem breve. Se você estiver em um dia ruim, corre o risco de acreditar. A dica é perguntar porque ele ainda não faz nada e pedir para que as palavras “tempo” e “dinheiro” não apareçam na resposta. É pane no HD.

Tipo C) “Até que faço alguma coisa”- É o pior tipo. Vai a uma passeata, à ação da igreja, doa pros desabrigados, enfim, faz uma presepada qualquer, tranqüiliza a consciência e acha que está fazendo alguma coisa de fato.

Tipo D) O que de fato faz alguma coisa – Incluo qualquer um engajado em ações coletivas relevantes. Uso repetidamente a expressão de fato porque, se os problemas são sistemáticos, a ajuda também deve ser, e apenas faz alguma coisa de verdade por alguém quem se dedica sistematicamente a buscar soluções.

Traduzido o gráfico, interpreto ele assim:

A maioria das pessoas está em “Não fazem p… nenhuma pelo mundo”, o que provavelmente inclui você, caro leitor. Daí, volto à pergunta inicial: “Porque você não faz nada por ninguém?”. Pra não me alongar, dou minha opinião pelo trecho do livro “O mal que ronda a terra”, de Tony Judt:

“Uma pesquisa entre estudantes ingleses realizada em 1949 mostrou que quanto mais inteligente o aluno fosse, mais tendência tinha a escolher uma carreira interessante, com salários razoáveis, em vez de um emprego que simplesmente lhe pagaria bem (…) Então chegaram os anos 90: a primeira das duas décadas perdidas, em que fantasias de prosperidade e enriquecimento pessoal ilimitado substituiriam todas as preocupações com liberdade política, justiça social ou ação coletiva (…) Nós vivemos confusos. Buscamos nossos interesses com o mínimo de referência a critérios externos como altruísmo, renúncia, gostos, hábitos culturais ou propósitos coletivos”

Resumindo: hoje muito poucas pessoas tem preocupações coletivas. As razões pra isso dariam um texto com certeza maior e mais chato que esse.

Quer sair da maioria? É fácil, é só botar pra fazer. Tem um monte de gente querendo a sua ajuda: nós do PECEP, Ensina!, Move Rio, Rede Tekoha, Instituto Superar, Aliança Empreendedora, Solidarium, Sonhar acordado, Make-a-Wish Brasil, além de tantas associações de moradores de comunidades, como a do Parque da Cidade, na Gávea.

Lembrando que não vale usar “tempo” nem “dinheiro” como empecilho. Só não faz quem não quer.

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6 comentários sobre “Porque você não faz nada por ninguém

  1. Sensacional!!! é um tapa na cara daqueles que vestiram a carapuça. Será que vesti?? não tenho tempo rsrsr. Quando queremos sempre arrumamos um tempinho né?!!
    Esse texto provoca muitas reflexões!!! muito bom!!!

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